Hoje foi divulgada uma entrevista da Lucy para a revista Haute Living, onde ela conta mais sobre o abuso sexual que sofreu (onde contou em um post, já deletado, em suas redes sociais). Confira traduzido abaixo:

Em Hollywood é fácil se perder – em um papel, na sua própria onda, na brilhosa calçada da fama. Lucy Hale pode admitir isso: por um tempo, ela também estava perdida. E o que mais? Com apenas 29 anos, ela não tem pressa para se encontrar.

Depois de interpretar Aria Montgomery na série de drama da Freeform, Pretty Little Liars por sete anos consecutivos, não é de se admirar que Hale teve uma crise de identidade. Ela não só se tornou sua personagem, mas também interpretou uma adolescente na maior parte dos seus 20 anos. Enquanto Aria, a garota, dominava, Lucy, a mulher, se perdeu. O papel estava inadvertidamente impedindo ela de crescer. Parafraseando Britney Spears, Hale não era uma menina, mas também ainda não era uma mulher.

“Foi muito divertido, mas tentar encontrar uma identidade fora da minha pessoa pública. Por um tempo, era quem eu achava que era,” ela admite. “Eu pensei que deveria viver para algumas expectativas, do que as pessoas esperavam que eu fosse. Foi miseravelmente tentar manter isso e tentar manter uma imagem pública perfeita.” Ela pausa e adiciona, “Eu tive que deixar essa parte ir.”

Ela teve sua epifania um pouco depois de encerrar PLL em 2016. “Eu passei por essa fase estranha, e não era o mais feliz que eu estive,” ela se lembra. “Eu estava passando por umas m*rdas de ser humano real que todos passamos, e foi um pouco depois disso que eu falei para mim mesma que ia fazer grandes mudanças que me deixariam mais feliz. Parte disso é cortar as porcarias e tomar decisões por mim mesma, não pelos outros.”

Hale age como se não é grande coisa fazer essas revelações – como se sua franqueza não fosse uma anomalia, e é impressionante que para alguém que construiu sua carreira interpretando uma mentirosa, ela é, na verdade, completamente o oposto.

“Fama e essa noção pré-concebida do que é meu estilo de vida, não é real,” ela mantém. “É tão artificial, tão falso, e poderia ir embora. Não é real, e é o que venho tentando aprender. Sim, eu sou abençoada: Eu tenho uma casa, um emprego, notoriedade e as pessoas me reconhecem, e isso é o que muitas pessoas queriam ter. E é parte de mim, mas não tudo. Eu tenho que achar essas coisas que me deixam normal e me mantém com o pé no chão.”

Para nós, ela obteve sucesso. Quando nos encontramos no Aroma Café, que está repleto de colegas criativos lendo roteiros e conversando sobre negócios, ela não apenas empurra a mesa suja sozinha, mas até se oferece para pagar. Não é forçado — ela só está sendo ela mesma. Seu objetivo na vida é ser “honesta, legal e boa”. Ela assinala cada caixa.

“Eu estou descobrindo as coisas como qualquer um. Eu tento manter tudo real,” ela reconhece, percebendo que parte da tentativa de manter o pé no chão era, acima de tudo, cortar as redes sociais. A estava deixando miserável, embora ela tivesse 19,9 milhões de seguidores no Instagram, ela não tem vergonha de admitir.

“É quase como uma doença,” Hale diz. “Estamos tão viciados, e no que as outras pessoas estão dizendo. Honestamente, eu sei que parece clichê dizer que as redes sociais estavam afetando minha felicidade, mas realmente estavam. Era importante para mim me desconectar disso, colocar meu telefone de lado um pouco e viver a vida ao meu redor.”

Se você olhar para as redes sociais, verá os suspeitos de sempre: headshots com poses artisticas, clipes de projetos e selfies de celebridades. Mas se você olhar mais de perto, verá a Hale real em uma camiseta larga da Whitney Houston, sem maquiagem, agarrando seu cachorro, fazendo graça da sua altura com legendas como “Nunca estive mais alta.”

Mas além desses vislumbres da verdadeira Lucy, é a essência das estrelas e momentos de red carpet que deixam os fãs felizes, então ela se obriga. “É uma roda de destaques. É todo mundo em seus melhores dias, portando fotos que eles nunca tiraram centenas de vezes e colocam mil filtros em cima,” ela diz, adicionando que ela também é culpada por fazer isso. “Não estou dizendo que não estou procurando por aprovação, porque não é isso. Tem dias que eu preciso disso das pessoas. Mas é legal estar em uma idade e momento da minha vida onde isso não é a coisa mais importante, porque por muito tempo, foi. Não é mais; eu me libertei.”

Não é coincidência que essa recém-descoberta clareza coincidiu com o fim de PLL e as intermináveis possibilidades que liberdade na carreira ofereceram. Por mais que ela amasse a série, ela precisava se distanciar dessa adolescente que ela interpretava. Com o movimentado oásis de atores e roteiristas nos cercando, Hale fica calada enquanto fala sobre o ano de crescimento pessoal e profissional que se passou desde o término da série.

“É por isso que estou fazendo papeis mais dark, porque você acaba sendo escalada pelo seu tipo – especialmente quando está na TV toda semana e as pessoas te vêem assim,” ela conta. “Depois de PLL, vieram muitas ofertas até mim que eram exatamente a mesma série, e a mesma personagem. Eu tive que recusar porque criativamente eu queria fazer algo diferente. É fácil se entediar, então eu tenho que mudar constantemente.”

Quando ela arrumou as malas metafóricas e saiu de Rosewood, ela não olhou para trás. Ela estava pronta para crescer. “Eu sempre vou ter um lugar especial no meu coração para a série, porque mudou minha vida,” ela explica. “Mas, honestamente, estava na hora de ir. Eu fiquei triste de deixar para trás o que eu considerava uma família – mesmo que eu não tenha realmente os deixado para trás, eles ainda estão em minha vida – mas eu também estava animada. Era um novo capítulo. Criativamente, eu precisava de algo novo para me estimular novamente.”

“Estar em uma série tanto tempo, você vive em uma caixa,” ela continua. “Era melancólico, mas a maioria do tempo eu ficava meio ‘Mal posso esperar pelo meu próximo trabalho.’ Colocamos essa série no chão.'” (O que quer dizer, desculpem fãs, vocês não vão ver Hale reprisando sua personagem no spin-off de PLL, The Perfectionists, que é estrelado por suas ex-colegas de elenco Sasha Pieterse e Janel Parrish, que tem sua premiere em setembro.)

Em uma tentativa de se separar da Aria, ela escolheu projetos estrategicamente por sua diversidade. No último ano sozinha, ela estrelou o filme da Netflix, Dude; o filme de terror Truth Or Dare; e o indie charmoso The Unicorn, o que lhe rendeu vários elogios quando estreou no SXSW. Ela voltou para a TV em 2017, em Life Sentence, da CW, como Stella, uma mulher que depois de ser diagnosticada com câncer terminal, literalmente vive como se estivesse morrendo. E é quando seu prognóstico muda miraglosamente que ela tem que lidar com as ramificações de seu comportamente compulsivo.

“Eu quero dizer que interpretar a Stella foi estratégico porque ela era o oposto da Aria, e eu queria que as pessoas me vissem de uma luz diferente. Foi sem dúvida a melhor decisão que eu poderia ter feito por mim mesma,” ela afirma.

A série infelizmente foi cancelada uma semana depois de nossa entrevista, mas antes de receber a notícia, a atitude de Hale era “o que será, será”: “Era exatamente o que eu precisava no momento certo. Nos programamos para contar uma linda história, e acho que conseguimos isso.” Ela ecoou esse sentimento publicamente no dia 8 de maio, twittando, “Às vezes as coisas não ressoam com o público, e as séries apenas não funcionam, mas estou orgulhosa do que realizamos e pela experiência que tive.”

Não que ela estivesse na ponta dos pés esperando pela notícia, mas ela disse que em vez de deixar a incerteza a deixar para baico, ela cresce com isso. “Eu sou viciada ao sentimento do desconhecido,” ela admite. “Esse negócio é difícil – tem muitos altos e baixos. Honestamente, sou sortuda que estou viva nesse negócio doido.” Ela pausa, e sorri. “Bom, até agora.”

Nem sempre vem com facilidade. Ela é uma pessimista natural, como ela mesma se chama “a pior das hipóteses, preto ou branco” – como todos nós – deixando o medo irracional tomar conta dela. Mas no último ano, ela vem dando passos para a mudança disso, mandar embora o que ela não controla, crescer.

Quando você é uma doida controladora, mandar embora é um desafio. A mesma coisa com mandar o medo embora. O medo de Hale é estar sozinha com ela mesma, que ela lutou com unhas e dentes este ano, satisfazendo sua grande paixão por viajar e escapando para o spa de bem-estar Canyon Ranch, no Arizona, para uma pequena busca solo da alma.

“Eu tenho medo de ficar sozinha e escutar meus pensamentos; eu odeio isso,” Hale revela. “Eu penso demais e analiso demais. Eu estava lidando e pensando sobre algumas coisas e emocionalmente trancando um monte de coisa, e eu finalmente lidei com algumas dessas coisas caminhando e meditando e sentando comigo mesma. Tinha muito pouca tecnologia. Foi meio depressivo no começo, mas perto do fim eu não queria ir embora. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.”

A viagem a ajudou a mudar sua perspectiva, se perder, se dar uma folga. “Foi como se eu estivesse me reiniciando,” ela conta. “Eu estou indo, indo, indo por mais tempo do que posso lembrar, mas vou ficar melhor com isso de agora em diante. Eu me sinto muito melhor com a vida num geral.”

Nos últimos meses, ela não teve projetos e se encontrou com uma rara folga. Ela está ficando em casa em LA, planejando várias viagens (ela foi para Maui e Paris com um grupo de amigos logo após nossa entrevista) e absorvendo a luz do sol. Mas a viagem para o Arizona ajudou a moldar sua perspectiva sobre a folga: em vez de seu medo típico de nunca mais voltar a trabalhar, agora ela apenas dá de ombros. Uma vida vivida com medo é uma semi-vida. “Normalmente, me assusta quando eu tenho alguns meses de folga porque eu fico tipo: ‘E se as pessoas se esquecerem de mim?’, o que é ridículo”, ela diz. “Mas me sinto tão bem, e o mais saudável e feliz que já estive”.

A expressão “Quando você sabe, você sabe” normalmente se refere a achar o amor verdadeiro, e para Lucy Hale, não é diferente. Seu amor, entretanto, não é uma pessoa, e sim um lugar: Los Angeles.

Seu caso com LA começou quando era jovem. Como um mecanismo de defesa durante o divórcio dos pais, sem amigos, esportes ou hobbies, ela se trancou em Memphis, Tennessee, no quarto, cantando Shania Twain e Martina McBride no karaokê. Ela era tão boa que aos 13 anos foi convidada a cidade dos anjos para uma audição do American Juniors, um spin-off infantil do American Idol.

“Eu me lembro vividamente de sair do avião pensando ‘Eu vou morar aqui um dia e tornar todos os meus sonhos realidade,'” ela se lembra. “Eu estava determinada.”

Sua mãe, uma enfermeira, arrumou as malas e se mudou para o oeste sem um centavo em seus nomes para que Lucy pudesse tornar seu sonho realidade.

Sua carreira de cantora foi para a atuação. Ela fez centenas de audições antes de conseguir um papel pequeno em Drake e Josh, que se seguiu para papeis em Bionic Woman da NBC, Privileged da CW enquanto filmava Quatro amigas e um jeans viajante 2 e Sorority Wars. Seu álbum de estreiam Road Between, foi lançado em 2014, quatro anos depois de achar o sucesso em PLL.

E sim, ela ama LA como um namorado – esse amor é mais profundo, verdadeiro e esta aqui para ficar. “Todos os meus sonhos de infância se tornaram realidade aqui,” ela conta. “Eu cresci aqui, me tornei uma adulta aqui e descobri quem eu era. Eu sinto que posso ser eu mesma aqui.”

E só porque ela ama não quer dizer que ela não canse de Los Angeles. Pode ser arrojado, e de cada 10 experiências positivas, ela teve sua cota de negativas. Recentemente, ela teve sua casa de Sherman Oaks invadida, e muitas das suas coisas foram roubadas. Ela também falou sobre o movimento #MeToo. “Eu experienciei o mínimo de muita coisa, mas abuso é abuso.” ela mantém. “Acho que tem muitas pessoas que foram intoxicadas e abusadas. Aconteceu comigo e com pessoas que conheço. É muito comum. Com sorte, eu sai ilesa; nada me machucou tanto.”

Ela adiciona, “Eu tive momentos obscuros aqui, mas é um lugar que sempre está do meu lado. Eu sei que soa estranho, mas sempre tive facilidade aqui. Para mim, é isso. Eu acho que sempre vou morar aqui. Eu sinto que posso ser eu mesma.”

Esse é definitivamente um adeus a sua educação religiosa do sul, que sempre a fez sentir desconfortável, ela teve uma coceira que não podia coçar. “Eu fui criada como católica, e eu sigo as morais dessa religião,” Hale diz, “mas estou nesse momento de explorar minha espiritualidade e descobrir o que funciona para mim no momento.”

“Quando me mudei para cá, eu sempre me senti um pouco diferente de onde eu cresci,” ela continua. “Tem algumas mentalidades em certas partes dos EUA que estão em uma caixa específica. Não é certo ou errado, é só o que é. Eu sempre senti que estava fora dessa caixa, mas quando eu cheguei aqui, ‘Sim! Essas são minhas pessoas. Elas são tão abertas, e fáceis e não te julgam.’ Eu amo que as pessoas são abertas e aceitam todos os tipos de viver aqui.”

Uma auti-intitulada esquisita que é obcecada por serial killers e crimes verdadeiros, ela não tem problema em admitir que tem cristais, faz Reiki, joga cartas de tarô e acredita que quando “mercúrio está retrocesso, minha vida toda vai pro espaço.”

Tão inesperado quanto seu lado exotérico, dando essa imagem de menina da casa ao lado, Hale tem quase 10 tatuagenns, variações do tema luz – de uma lâmpada (seu nome significa “como luz” no latim), um sol para sua avó e um A com o squad de PLL. Ainda mais surpreendente, ela diz, “Eu amo tatuagens. Acho que se eu não fosse atriz, eu teria os braços fechados.”

E para seu futuro, ela não imagina uma vida sem atuar. “Eu nunca tive um plano B,” ela diz. “Eu não fui para a faculdade. Meu sonho sempre foi o cinema.”

Ela dá uma pausa e morde um brownie antes de considerar, “Acho que esse pensamento que me levou ao sucesso. Se você tem um plano B, sempre tem a ideia na sua cabeça que não vai funcionar, e não é como eu penso. Eu acho que ‘vai funcionar porque eu vou fazer acontecer.’ Eu sou muito teimosa.”

Não que ela não tenha pensado sobre a evolução da sua carreira – ela pensou. Mas como uma procrastinadora, e uma que está feliz onde está, ela não sente uma grande necessidade de atuar em algo… Ainda.

Ela brinca com a ideia de um dia criar uma linha de cuidados para a pele, se tornar uma estilista e talvez dirigir – algo que ela nunca considerou no passado. Mas essas aspirações estão no final: O que ela realmente quer fazer no seu próximo ato é produzir.

“Eu sempre amei atuar, e meu sonho sempre foi fazer filmes, mas eu também amo a ideia de estar por trás das câmeras e colocar os pedaços criativos juntos. Eu sou uma doida controladora, e mesmo quando estou atuando eu quero controlar tudo,” ela diz com uma risada.

Mas como ela já está estabelecida, às vezes você tem que deixar ir, de quem você acha que deveria ser, e da perfeição, porque está tudo bem ser imperfeito. Às vezes, você tem que admitir que às vezes você quer fugir, que é legal escapar frequentemente através de viagens, e que você é obcecado por serial killers e pelo verdadeiro crime.

Esta ex-estrela de drama adolescente possui essas coisas, e é por isso que ela está se aproximando de uma nova fase de sua carreira, recusando-se a lamentar a perda de Life Sentence e se concentrando em seus novos projetos secretos, que são muito mais “escuros” do que ela está acostumada a interpretar. Ela sorri diabolicamente, dizendo: “Eu sempre quis o meu momento Girl, Interrupted”.

A VIDA DE ACORDO COM LUCY

Sobre a moda: “Eu costumava me vestir sempre como se estivesse no Coachella, e é tão brega. Eu tentava todas as modas ao mesmo tempo, e era meio ‘Lucy, calma.’ Em toda roupa que eu usava, eu queria ter uma coisa que ninguém tem, o que incluía jóias.”

Sobre seus itens valiosos: “Eu amo diamantes vintage. Eu comprei um choker de diamante, mas era do distrito dos diamantes na cidade. A coisa mais cara que eu tenho é meu Rolex com diamantes. Eu amo relógios. Meu item mais valioso é um anel da era vitoriana que era da minha avó.”

A coisa mais estranha que ela tem: “Eu tenho um anel de luto da Austrália. Nos anos 1800 e início dos 1900, as pessoas usavam anéis de luto. Quando alguém morria, eles ficavam com uma joia da pessoa morta como honra, e colocavam o cabelo nela. Eu comprei o anel do luto de alguém. Tem uma pessoa ajoelhada em um túmulo e tem uma citação da Bíblia e o cabelo de alguém nela. Alguém provavelmente está me assombrando. Ou meu anjo da guarda.”

Sobre seu ídolo: “Reese Witherspoon é meu ídolo. Ela pega todos os bons livros antes que qualquer outra pessoa consiga e compra os direitos. É genial.”

Fonte: Haute Living

Confira as fotos do photoshoot em nossa galeria clicando nas miniaturas abaixo:

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